O número de financiamentos de imóveis usados no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) cresceu significativamente nos últimos meses, acendendo alertas em parte do setor imobiliário. No entanto, para especialistas, o aumento está longe de representar um problema. Pelo contrário: pode indicar um amadurecimento do mercado e maior liberdade de escolha para as famílias de baixa renda.
De acordo com dados recentes da Caixa Econômica Federal, houve um crescimento expressivo na contratação de imóveis usados nas faixas do MCMV. Essa movimentação contraria a percepção comum de que o programa estaria voltado exclusivamente para unidades novas ou construídas sob demanda.
Segundo José Roberto Afonso, economista e pesquisador do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), essa mudança é parte natural da dinâmica de um programa habitacional que já tem mais de uma década de existência. “Nos primeiros anos, a ênfase era estimular a construção civil e ampliar o estoque habitacional. Hoje, muitas famílias vendem imóveis comprados pelo MCMV e, com isso, ampliam a oferta de usados no próprio universo do programa”, explica.
Mais opções, mais mobilidade
A possibilidade de financiar imóveis usados dá mais flexibilidade para os beneficiários. Muitos buscam bairros com melhor infraestrutura, proximidade de serviços ou simplesmente desejam trocar de residência por motivos familiares. O financiamento de usados também ajuda a circular os recursos habitacionais, além de permitir que imóveis anteriormente subsidiados continuem atendendo ao público-alvo do programa.
Além disso, a maior presença de usados está associada a uma redução do déficit habitacional qualitativo — ou seja, o desafio de oferecer moradias adequadas, e não apenas novas. “Um imóvel usado bem localizado e com estrutura adequada pode ser mais vantajoso para a família do que uma unidade nova em local afastado”, destaca Afonso.
Sem bolha à vista
Embora o aumento dos financiamentos tenha chamado atenção, os analistas afastam o risco de bolha ou distorções no mercado. A taxa de inadimplência permanece controlada, e os critérios de aprovação seguem rigorosos. O uso de imóveis usados tende, inclusive, a dar mais liquidez e dinamismo ao sistema, sem gerar o tipo de especulação que afeta grandes centros urbanos.
Para o governo, a tendência reforça a eficiência social e econômica do MCMV, ao atender mais famílias com recursos otimizados e maior liberdade de escolha.
Conclusão
O crescimento dos financiamentos de usados no Minha Casa, Minha Vida é um reflexo direto da maturidade do programa e da maior complexidade do mercado imobiliário brasileiro. Longe de ser um sinal de alerta, essa expansão pode representar um avanço: mais mobilidade, mais acessibilidade e mais oportunidades para quem precisa.

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